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Nomes da história intercultural em contextos euro-brasileiros
E. H. SNETHLAGE (1897-1939)
ETNOLOGIA ALEMÃ E A PESQUISA DA MÚSICA INDÍGENA (1982)
Forum BRASIL-EUROPA de Leichlingen (1981/2) sob o patrocínio da Embaixada do Brasil Org. A.A.Bispo Série preparatória da Semana Alemanha-Brasil (1982)
[Excertos em tradução para o português]
Antonio Alexandre Bispo
O presente texto, já antigo, oferece excertos de uma conferência realizada em 1982 no âmbito do I° Forum Brasil-Europa de Leichlingen, Alemanha, evento realizado sob a direção de A.A.Bispo e sob o patrocínio da Embaixada do Brasil na Alemanha. É aqui publicada em português com o objetivo de documentar os trabalhos realizados no âmbito da Academia Brasil-Europa e institutos integrados. Não reflete o estado atual dos conhecimentos, uma vez que os trabalhos tiveram continuidade. O seu objetivo foi preparar a Primeira Semana Alemanha-Brasil realizada pela Escola de Música e pelo Departamento de Cultura da Municipalidade de Leichlingen. Por esse motivo, aspectos etnomusicológicos estiveram no centro das atenções Algumas datas do desenvolvimento de estudos relacionados com E.H.Snethlage: 1976. Seminário de Estudos Indígenas e de Bibliografia Etnomusicológica: Snethlage. Colonia. Com viagem a Berlim 1992. II° Congresso Brasileiro de Musicologia. Preparação de Pesquisas no Amazonas 1993. Sessão Preparatória no IBEM de viagens para estudos à Rondônia 1998. Música no Encontro de Culturas. Universidade de Colonia. Conferência e exposição na Academia Brasil-Europa 2002. Colóquio "Europa e o universo sonoro dos índios". A.B.E. e Universidade de Colonia Indicações bibliográficas (sumárias) E.H. Snethlage, "Meine Reise durch Nordostbrasilien", Journal für Ornithologie LXXV/3, Berlin 1927, 468-469 E.H. Snethlage, "Der Tanz der Kröte Cururu", Erdball II, Berlin-Lichterfelde 1928, 384 E.H. Snethlage, "Unter nordostbrasilianischen Indianern", Zeitschrift für Ethnologie LXII (1931), 111-205 E.H. Snethlage, Indianerkulturen aus dem Grenzgebiet Bolivien-Brasilien: Ergebnisse der Forschungsreise 1933-1934. Führer durch die Ausstellung im Staatlichen Museum für Völkerkunde, Berlin, vom 15. August bis 15. Novembner 1935, Berlin 1935 E.H. Snethlage, "Übersicht über die Indianerstämme des Guaporégebietes", Tagungsberichte der Gesellschaft für Völkerkunde, 2. Tagung 1936, Leipzig 1937, 172-180 E.H.Snethlage, Atiko y: Meine Erlebnisse bei den Indianern des Guaporé, Berlin 1937 E.H. Snethlage, Musikinstrumente der Indianer des Guaporégebietes, Baessler-Archiv, Beiheft X, Berlin 1939, Separata Bispo, A. A. "Materialiensammlung und Musikinstrumente für Berlin: Spuren der Mission am Guaporé". Die Musikkulturen der Indianer Brasiliens: Stand und Aufgaben der Forschung IV: Zur Geschichte der Forschung. Anuário Musices Aptatio 2000/1. Roma/Siegburg 2001, 308-312 Emil Heinrich Snethlage (1897-1939), botânico que passou a dedicar-se à etnologia, realizou, como colaborador do Museu de Etnologia de Berlim, duas expedições ao Brasil, uma, nos anos vinte, ao Nordeste, outra, no início da década de trinta, ao território do Guaporé. No seu relato de viagem ao Nordeste, onde visitou os Guajajara e os Gê do Norte (Piokobyé, Remkokamekrã, Krao, Apinajé), entre 1923 e 1926, Snethlage oferece uma descrição da dança do Cururu naquele povo tupi, tendo publicado um estudo à parte a respeito dessa dança tão relevante para os estudos ligados às tradições musicais brasileiras. Em 1933, Snethlage foi enviado ao Brasil pelo diretor geral dos Museus Estatais, com financiamento da Fundação Arthur Bäßler, para recolha de material etnográfico de culturas indígenas ainda não representadas no Museu de Etnologia de Berlim. O autor pretendia inicialmente realizar escavações sistemáticas na foz do Amazonas e estudos etnográficos no território do Juruá. Resolveu. porém, ir ao Norte da Bolívia por encontrar dificuldades burocráticas no Brasil. A respeito dos índios do território vizinho do Guaporé, Snethlage tinha conhecimentos através do livro Forschungen und Abenteuer e Indianer und Weiße, de E. Nordenskiöld, que ali havia estado em 1914. Sobre essa viagem, Snethlage organizou uma exposição no Museu de Etnologia de Berlim, em 1935, do qual também realizou um filme. Ofereceu também uma sinopse das tribos indígenas da região em simpósio da Gesellschaft für Völkerkunde. Em 1937, publicou o livro Atiko y, onde descreve as suas experiências durante a viagem e, em 1939, o seu fundamental estudo sobre os instrumentos musicais dos indígenas daquele território. O livro Atiko y (= "O que é isso?", idioma Moré) inclui numerosas referências de relevância etnomusicológica. O objetivo do autor foi publicar uma obra para um grande público, sem porém distorcer a realidade, ao contrário de numerosas publicações "popular-científicas" da época. A descrição dos preparativos e da realização de uma festa com danças entre os Moré e os Itoreauhip inclui referências à flauta-pã dos Moré. Snethlage oferece também ilustrações dos instrumentos observados, ou seja, o marcador de compasso e a cabaça "toa". Snethlage descreve a dança "taran", geralmente dançada por meninos, e característica dos Moré. Refere-se a um canto monótono, dificilmente traduzível: "aiji, anaiji - aiji, anaiji - aiji bakurau aiji". Cita um canto de dois ou três homens que marcham através das cabanas e que inicia com o texto "Ehemmänschäh panafiko". De interesse particular é a referência à construção do instrumento musical "toa" (=tartaruga), a partir do âmago da folha da palmeira: numa cabaça fazia-se um recorte em forma de meia lua, prendendo-se abaixo uma bolota de cêra, molhada com saliva; esse instrumento era então friccionado na parte inferior do braço. Ao som desse instrumento, os indígenas dançavam aos saltos. O autor compara esse instrumento com o instrumento feito de casco de tartaruga descrito entre outros por Krause, Koch-Grünberg e Bolinder, que o viram entre os Karajá, no Rio Negro e entre o Jica, na Colombia. O autor constata a existência maracas de vários tipos e trompetes de cabaça e de bambu, além de tubos de diversas espécies. No âmbito da narração de sua estadia na tribo Tschapakura dos Abitana-Huanyam do Rio São Miguel, conhecida no mundo científico pela valiosa coleção de objetos adquirida por Erland Nordenskiöld, em 1914, Snethlage oferece uma ilustração de um trompete feito de fêmur de um inimigo morto.
O presente texto, já antigo, oferece excertos de uma conferência realizada em 1982 no âmbito do I° Forum Brasil-Europa de Leichlingen, Alemanha, evento realizado sob a direção de A.A.Bispo e sob o patrocínio da Embaixada do Brasil na Alemanha. É aqui publicada em português com o objetivo de documentar os trabalhos realizados no âmbito da Academia Brasil-Europa e institutos integrados. Não reflete o estado atual dos conhecimentos, uma vez que os trabalhos tiveram continuidade. O seu objetivo foi preparar a Primeira Semana Alemanha-Brasil realizada pela Escola de Música e pelo Departamento de Cultura da Municipalidade de Leichlingen. Por esse motivo, aspectos etnomusicológicos estiveram no centro das atenções Algumas datas do desenvolvimento de estudos relacionados com E.H.Snethlage: 1976. Seminário de Estudos Indígenas e de Bibliografia Etnomusicológica: Snethlage. Colonia. Com viagem a Berlim 1992. II° Congresso Brasileiro de Musicologia. Preparação de Pesquisas no Amazonas 1993. Sessão Preparatória no IBEM de viagens para estudos à Rondônia
1998. Música no Encontro de Culturas. Universidade de Colonia. Conferência e exposição na Academia Brasil-Europa
2002. Colóquio "Europa e o universo sonoro dos índios". A.B.E. e Universidade de Colonia
Indicações bibliográficas (sumárias)
E.H. Snethlage, "Meine Reise durch Nordostbrasilien", Journal für Ornithologie LXXV/3, Berlin 1927, 468-469 E.H. Snethlage, "Der Tanz der Kröte Cururu", Erdball II, Berlin-Lichterfelde 1928, 384
E.H. Snethlage, "Unter nordostbrasilianischen Indianern", Zeitschrift für Ethnologie LXII (1931), 111-205
E.H. Snethlage, Indianerkulturen aus dem Grenzgebiet Bolivien-Brasilien: Ergebnisse der Forschungsreise 1933-1934. Führer durch die Ausstellung im Staatlichen Museum für Völkerkunde, Berlin, vom 15. August bis 15. Novembner 1935, Berlin 1935
E.H. Snethlage, "Übersicht über die Indianerstämme des Guaporégebietes", Tagungsberichte der Gesellschaft für Völkerkunde, 2. Tagung 1936, Leipzig 1937, 172-180
E.H.Snethlage, Atiko y: Meine Erlebnisse bei den Indianern des Guaporé, Berlin 1937
E.H. Snethlage, Musikinstrumente der Indianer des Guaporégebietes, Baessler-Archiv, Beiheft X, Berlin 1939, Separata
Bispo, A. A. "Materialiensammlung und Musikinstrumente für Berlin: Spuren der Mission am Guaporé". Die Musikkulturen der Indianer Brasiliens: Stand und Aufgaben der Forschung IV: Zur Geschichte der Forschung. Anuário Musices Aptatio 2000/1. Roma/Siegburg 2001, 308-312
Transformação cultural devido à missão Da aldeia Pernambuco dos Tschikitano cristianizados, Snethlage cita a igreja com o seu sino e um triângulo para o chamamento dos fiéis; os serviços religiosos eram em grande parte realizados por um "diácono" indígena, vindo um sacerdote esporádicamente de Guajará-Mirim para dar assistência aos fiéis. Snethlage descreve uma dança com a participação de dois músicos, um com tambor e outro com uma flauta. A dança lembrava uma polca e os dansarinos seguravam-se pelas mãos, balançando com os braços. O autor vivenciou as tradições de Semana Santa entre os Tschikitano, documenta a queima do Judas e a leitura do seu testamento, a música das festividades do Sábado de Aleluia com tambor e flauta, assim como danças com máscaras e guisos no domingo de Páscoa. Da aldeia do cacique Tapuawa, Snethlage cita cantos noturnos com longas repetições das palavras "iii ti ti iii ti ti" em diferentes alturas de som, assim como um canto de encantamento e cura sob a influência de fumo, do qual entende as palavras "hihihi hahaha .... unem unem hä .... hähähä, obsrvando o modo responsorial de execução.Ao canto "Druja druja drujitim drujitim", entoado pelo cantor, o coro repetia várias vezes"druja druja". Com relação à dança observada nessa aldeia, Snethlage dá uma longa descrição. Os dançarinos davam três passos para a frente e para trás, descrevendo, com braços abertos, um grande círculo e cantando "zä zä te ora he he - ä ä o o o a ä öa äöa". Depois de algum tempo, já noite entrada, um participante, batendo violentamente com o pé esquerdo no chão, entrava na cabana de Tapuawa e entoava um canto monótono. Depois de meia hora, passava a ser acompanhado por umas das mulheres que cantavam juntamente o ä a ööö. A seguir, ouviam-se trompetes. O Tapuawa levantava-se de sua rede, apanhava os instrumentos de música e os entregava a seus companheiros. Toque de trompetes e danças ocorriam durante todo o dia seguinte, até o cair da noite. Somente com dificuldade Snethlage conseguiu convencer alguns dos índios a que repetissem os passos de dança, para que pudesse filmá-los. Snethlage descreve a festa de São João na aldeia de São Luís dos Arua, propriedade de um seringueiro. Os Arua se submetiam aos Makurap como responsáveis pelos cantos e danças. Eles ajuntavam os bambus e os cortavam, assim como as linguetas. A elaboração, porém, ficava a cargo dos Makurap, que os afinavam de acordo com as melodias de seu povo. Eles cantavam cada canto em voz baixa e davam o compasso ensinando os tocadores. Assim resultava uma melodia que soava harmoniosa aos ouvidov de Snethlage. Os homens se movimentavam ritmicamente, primeiramente no lugar, depois dando três ou quatro passos para frente e para trás, batendo o pé direito no chão. A mão livre era apoiada no ombro do companheiro ao lado ou à frente. Quando o dançarino não tinha um instrumento de música, segurava o companheiro com os dois braços.
(...) Snethlage tinha recebido, para a gravação, um aparelho do Arquivo Fonográfico Estatal de Berlim, e teve a ocasião de gravar algumas das danças, que lhe soavam muito semelhantes entre si. Para isso, precisou arranjar uma pequena mesa, onde o aparelho foi colocado, pedindo aos indígenas que não se movimentassem ao cantar, para que o registro dos cilindros saísse bem. Snethlage salienta a dificuldade aqui encontrada, sendo que os índios precisaram ensaiar várias vezes, pois não conseguiam cantar sem movimentos. Dessa dança, o autor publica documentos fotográficos mostrando a movimentação e a execução dos instrumentos de sôpro. (...) Da aldeia dos Jabuti (Kipiu), o autor dá uma ilustração e notícias a respeito do maracá que, assim como entre os Makurap, era enterrado no chão à frente de um "altar de esteira" e que não podia ser tocado por outra pessoa a não ser pelo pajé. Para que pudesse adquirir o maracá, este precisou ser cerimonialmente dessacralizado; o autor descreve os ruídos e as manifestações sonoras vinculadas ao processo mágico. Na narração da grande festa na aldeia dos Angob, o autor cita a formação de grupos de homens que se movimentavam com poucos passos para a frente e para trás, batendo com o pé direito no chão, à frente do altar de esteira ou no pátio, semelhantemente ao observado na aldeia Pernambuco. As mulheres cantavam só mais tarde ou dançavam entre si, formando uma longa fila e segurando-se pelas mãos. Fizeram repentinamente o pesquisador entrar na dança. Os cantos diferiam entre si. Quando um grupo masculino encontrava uma fila feminina, iniciava um canto alternado que parecia ser formado por cantos de amor; as mulheres entoavam uma espécie de cânone, com diferentes textos e em diversas alturas de som. Entre os Tupari, Snethlage constatou que as mulheres dançavam mais do que os homens, movimentando-se em voltas ritmadamente dentro da casa, de preferência ao redor do receptáculo de "chicha". Os indígenas executaram uma "dança de flautas" de guerreiros especialmente para que Snethlage assistisse, caracterizada por largos passos para frente e para trás. Cada participante tinha uma flauta de vários orifícios. O instrumento era tocado com os dedos indicador e médio de cada mão. Menção deve ser feita à zoóloga Emilie Snethlage (1868-1929) que, em 1909, em viagem ao Baixo Xingú e ao Baixo Tapajós, realizou pesquisas etnológicas ao lado de suas observações zoológicas nas tribos Xipaia e Kuruaua. Também oferece notícias sobre os Arara e Asurini, entre outros. (E. Snethlage, "Zur Ethnographie der Chipaya und Curuahé", Zeitschrift für Ethnologie XLII (1910), 609-637; Boletim do Museu Goeldi VII (1913), 49-99; "Die Indianerstämme am mittleren Xingú: Im besonderen die Chipaya und Curuaya", Zeitschrift für Ethnologie LII/LIII (1921), 395-427
(...)
O texto aqui publicado é apenas um das várias centenas de artigos colocados à disposição pela Organização Brasil-Europa na Internet. O sentido desses textos apenas pode ser entendido sob o pano de fundo do escopo da entidade. Pedimos ao leitor, assim, que se oriente segundo a estrutura da organização, visitando a página principal, de onde obterá uma visão geral: http://www.brasil-europa.eu Dessa página, o leitor poderá alcançar os demais ítens vinculados. Para os trabalhos recentes e em andamento, recomenda-se que se oriente segundo o índice da revista da organização: http://www.revista.brasil-europa.eu Salientamos que a Organização Brasil-Europa é exclusivamente de natureza científica, dedicada a estudos teóricos de processos interculturais e a estudos culturais nas relações internacionais. É a primeira do gênero, pioneira no seu escopo, independente, não-governamental, sem elos políticos ou religiosos, não vinculada a nenhuma fundação de partido político europeu ou brasileiro, supra-universitária e originada de iniciativa brasileira. Foi registrada em 1968, sendo continuamente atualizada. Não deve ser confundida com outras instituições, publicações, iniciativas de fundações ou outras páginas da Internet que passaram a utilizar-se de denominações similares. Prezado leitor: apoie-nos neste trabalho que é realizado sem interesse financeiro por brasileiros e amigos do Brasil! Torne-se um dos muitos milhares que nos últimos anos visitaram frequentemente as nossas páginas. Entre em contato conosco e participe de nossos trabalhos: contato
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