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SOCIEDADE BACH DE SÃO PAULO
PROF. MARTIN BRAUNWIESER
por motivo dos primeiros encontros preparatórios para a reorganização
da Academia Brasil-Europa
Lüneburg/Hamburg 1975
dirigidos por A.A.Bispo
Na época do Descobrimento da América, cidades alemãs, mesmo as
pequenas, já possuiam uma vida musical significativa. Lüneburg
pertence a essas cidades e tem um lugar na História da Música
garantido por ali ter passado Bach quando jovem. Os trechos que
tratam dos anos de Bach em Lüneburg na biografia de Spitta são
bastante interessantes. Para mim, Spitta foi um erudito de grande
significado, que dedicou toda a sua vida ao estudo pormenorizado,
atencioso, competente do caminho de Bach. Entretanto, o que Bach
fêz em Lüneburg está segundo a minha opinião ainda mais bem estudado
no primeiro volume da biografia de Bach do meu inesquecível professor,
Bernhard Paumgartner.
São sobretudo os habitantes de Hamburgo que têm toda a razão de estarem orgulhosos do passado musical de sua cidade. A ópera em língua alemão foi ali defendida sobretudo pelos membros da assim-chamada Escola de Hamburgo, tais como Kayser, Telemann, Händel e outros. Até hoje a vida musical de Hamburgo desempenha um papel importante na Alemanha. Não se deve esquecer, porém, da música sacra. Em toda a estadia em Hamburgo não se pode deixar de visitar uma das igrejas durante o serviço religioso, em particular aquela na qual Bach improvisava para a sua futura esposa.
Eu sugiro sempre com veemência a necessidade do estabelecimento
de contactos pessoais na minha cidade natal, Salzburg. Como estou
longe de lá toda uma vida, desconheço as pessoas que agora ocupam
postos de importância. Recomendo apenas o meu colega de escola
Heinz A. Scholz. Também gostaria de lembrar de alguns nomes da
Casa de Festivais, sobretudo da Baroneza Erna Neunteufel e da
Sra. Paula Wildfeuer.
Não podemos deixar de ter contactos com museus. Pensemos em Londres, onde se pode admirar a arte do Partenão, em Paris, com as obras inegualáveis da Mesopotâmia, em Viena com o Albertinum, em Munique ou nas instituições dos países com obras flamengas ou com testemunhos da música da época anterior a Bach.
Eu sou da mesma opinião daqueles grandes pensadores que disseram
que a vivência de verdadeiras manifestações do Belo na Naturzea,
em museus, na arquitetura, na pintura e na música são mais importantes
para o nosso desenvolvimento do que até mesmo preleções.
Assim como todos os homens possuem aspectos comuns, também têm as suas diferenças. O cearense ama o sertão, o gaúcho as suas plagas. Eu amo particularmente as paisagens montanhosas, a bela Innsbrück ou a minha cidade-natal Salzburg.
Fico feliz em saber que os planos se desenvolvem da melhor forma.
Espero que isso também continue assim no futuro, pois há entre
nós pessoas que podem-nos fazer doentes, de espírito e de corpo.